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Descrição

Vaqueiro, aboiador, poeta e artesão, José Luiz Barbosa, o Zé do Mestre, nasceu no dia 29 de outubro de 1932, na Fazenda Cacimbinha, zona rural de Salgueiro, município do Sertão Central de Pernambuco. É um dos nomes mais importantes do artesanato em couro e dedicou 79 anos de sua vida à produção das peças que compõem a indumentária do sertanejo que enfrenta à Caatinga no pastoreio do gado. Herdou do pai, Luiz Eugênio Barbosa, o Mestre Luiz, a arte de cortar e moldar o couro, transformando a matéria-prima em símbolos significativos da identidade cultural nordestina. Zé do Mestre foi o único dos 16 filhos de Mestre Luiz a trabalhar com couro. O patriarca foi sapateiro de prestígio na região e se iniciou no ofício aos 13 anos de idade depois de fazer para si o primeiro calçado usado em vida. Aos seis anos de idade, o menino José Luiz já trabalhava como ajudante do pai no riscado da pele. Aos nove anos, confeccionou o primeiro terno de couro contando com a ajuda do primo Línio Belarmino Barbosa, que anos mais tarde viria a ser seu sogro. O artesão cresceu e vive até hoje na Fazenda Cacimbinha, distante 14 quilômetros do centro de Salgueiro, propriedade que há séculos pertence à família. Foi lá que aprendeu a lidar com a roça, a cuidar do gado e a fazer com maestria todas as 27 peças que compõem o vestuário do vaqueiro, entre gibão, guarda-peito, perneiras, luvas, arreios e chicotes. Não teve oportunidade de estudar e só frequentou escola por 15 dias, aos 13 anos, tempo suficiente para aprender a assinar o nome. Em 1942, casou-se com Antônia de Brito Barbosa, a Dona Toinha, que durante décadas o auxiliou na produção artesanal, e com quem teve dez filhos. Artífice do couro, Zé do Mestre vestiu anônimos e famosos. Fez gibões para o amigo Luiz Gonzaga, presidentes da República, reis (Juan Carlos, da Espanha), pontífices (Papa João Paulo II), governadores e para centenas de sertanejos que anualmente fazem, no município de Serrita, a Missa do Vaqueiro, em memória a Raimundo Jacó. Seu trabalho conquistou admiradores em todo o mundo, integrando acervos de colecionadores particulares e de museus, como o Missionário Etnológico, em Roma. “Já tinha a certeza, desde cedo, que a minha vida seria com o couro. A arte me trouxe muita alegria na vida”, avalia o mestre. Há seis anos, devido às limitações impostas pela idade, ele abandonou a máquina de costura e as ferramentas usadas durante anos, repassando para o filho, Irineu do Mestre, a tradição artesanal do couro. O artesão também foi o único a seguir o ofício do pai, e aos seis anos de idade, já ajudava a mãe a pespontar peças. “Sou a terceira geração e há 42 anos trabalho com o couro. Sinto o peso da responsabilidade em honrar a memória daqueles que me antecederam, mas acho que a tradição da família está assegurada até a quarta geração porque tive o cuidado de repassar o conhecimento para os meus filhos, Bruno, Júnior e Lavínia, a beleza dessa arte popular”, assegura Irineu do Mestre.

Endereço:

Fazenda Cacimbinha
Zona Norte, Salgueiro, Pernambuco,
fone:
ver fone87.9940.5706

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