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Nido Mestre


Descrição

Aos 17 anos de idade, Eronildo José Carlos Honorato já encarava a dura rotina de trabalho no corte da cana-de-açúcar, em Sirinhaém, cidade da Zona da Mata Sul, onde nasceu no dia 14 abril de 1980. Eram jornadas extenuantes, tendo o pagamento pelo serviço executado proporcional às toneladas colhidas. Uma realidade que empurrava o adolescente para um futuro de pouca ou quase nenhuma perspectiva. “Tinha muita fé em Deus e sempre pedia que ele me tirasse daquele trabalho”, recorda. No dia 1º de janeiro de 2001, sua história começaria a mudar de rumo. Nido, então com 21 anos, seguia para a praia de Porto de Galinhas quando avistou, no acostamento da estrada, esculturas de pássaros feitas em madeira. “Coloquei na minha cabeça que faria uma daquelas”, relembra. E assim foi. No dia seguinte, com um formão emprestado, um batedor de carnes e um pedaço de tronco de coqueiro, surgiria sua primeira escultura: uma coruja, que logo acabou servindo como lenha para a mãe que acreditava ser o animal um símbolo de azar. Três dias depois surgiria a segunda escultura, um papagaio e, na sequência, arara, cobra e macaco - todas confeccionadas em tronco de coqueiro. O trabalho do jovem autodidata começou a chamar a atenção, e com a admiração, as primeiras vendas. “A minha quarta peça foi um divisor de águas porque tive a convicção de que poderia seguir fazendo esculturas”. Na arte do entalhe, mestre Nido adotou a jaqueira - madeira considerada de boa qualidade, maleável e sem restrições para corte - e com ela assina um trabalho que impressiona pela amplitude e riqueza de detalhes. Admite que prefere personagens, peças em tamanho natural e realistas, como as feitas em homenagem a Luiz Gonzaga e a seu filho Gonzaguinha - que levou cerca de um ano e seis meses para ser concluída -, a do escritor Ariano Suassuna (feita em oito meses) ou a consagrada a Raimundo Jacó (O Vaqueiro Nordestino), iniciada durante a 18ª edição da Fenearte (2017), com 2,50 metros de altura, que traz montado em um cavalo o vaqueiro assassinado em julho de 1954. “Acho que todo artista conversa com a madeira e é ela que diz o que deve ser feito”, acredita. Nido, que já levou seu trabalho para diversos estados, participa da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte) desde 2001 e há 13 anos integra o Salão dos Mestres. Suas esculturas tiveram menções honrosas no Salão de Arte Popular nas edições de 2007, 2009 e 2010. Desde 2003, o artista mantém o Instituto Jardim das Artes, espaço com 178 metros quadrados de área construída voltado para formação de jovens escultores. Totalmente gratuito, a oficina acolhe atualmente 26 alunos, moradores da zona rural e bairros carentes de Sirinhaém, que além de aprender, comercializam seus trabalhos no local. “Apesar das dificuldades, sou bastante otimista com o que faço. Para fazer a diferença não é preciso de muito e venho construindo com esses jovens um espaço que certamente fará a diferença em Pernambuco”.

Endereço:
Rua Marquês de Olinda,671
Serinhaém, Olinda, Pernambuco,
fone:
ver fone| (81) 99619.0301

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Documento Comprobatório

Confirme que anexou documento comprobatório que já expos na FENEARTE.: SIM