PESQUISAR ARTESÃO


Descrição

O ponto de partida de uma história marcada por dificuldades, superações e reconhecimento artístico se deu aos sete anos de idade e sob a forma de uma provação. Ao assistir pela primeira vez a uma apresentação de mestre Solon (1921-1987), e do seu Mamulengo Nova Invenção Brasileira, em uma praça, no centro de Carpina, o menino Ermírio José da Silva decidiu que faria para si um daqueles bonecos caricaturais e de grande encantamento. À determinação da criança, contrapunha-se a opinião do pai agricultor, que não acreditava ter o filho talento para tamanha proeza. Menino criado no roçado, Ermírio, que décadas mais tarde se consagraria Miro dos Bonecos, não desanimou com a incredulidade paterna. Ao voltar da “cidade” para o Sítio Santa Terezinha, onde vivia com os pais e os 12 irmãos, tratou de arranjar um cabo de vassoura dando forma ao primeiro boneco. De pedaços de borracha nasceram as pernas e os braços, enquanto a roupa do brincante foi adaptada de uma meia de um irmão. Foram quase 30 bonecos - geralmente trocados por outros brinquedos com os amigos - até que Miro dominasse a técnica mamulengueira. Por volta dos 17 anos, Miro passa a morar com a família no centro de Carpina, graças a uma boa safra de abacaxi que permitiu a compra de uma nova morada. O adolescente começa a confeccionar seus bonecos - já com a maleável madeira de mulungu, catada nas beiras de rios e estradas -, vendendo cada peça por R$ 3,00. Apesar da paixão pelo o que fazia, foi forçado a buscar o sustento da família, trabalhando em muitas ocupações, como vigia, zelador, vendedor, mecânico.”Foi uma época difícil porque não tínhamos sequer o que comer”, recorda o artesão, que apesar da lida nunca deixou de lado o entalhe da madeira e os seus bonecos. No ano de 1997, Miro viria a criar um de seus mais importantes bonecos: a Maria Grande, com quase 1,70 de altura, cabeça e boca articuladas, até hoje companheira em suas apresentações. “Fiz a Maria Grande porque ia aos bailes e sempre recebia negativas das moças quando convidava para uma dança. Lembro que foi uma alegria danada quando o povo me viu dançando com ela em um show de forró”, assegura. Levar alegria por onde passa, por sinal, é prerrogativa na vida do artesão, que um ano depois (1998), criaria o Mamulengo Novo Milênio, grupo de teatro popular em atividade até hoje e que conta com mais de trinta bonecos-personagens. Mestre Miro participa da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte) desde a primeira edição. Em 2005, seu trabalho A Santa Ceia, que reproduzia com bonecos a última refeição de Jesus com seus apóstolos, ganhou o primeiro lugar no Salão de Arte Popular Ana Holanda. “Aquele foi um momento importante na minha vida. Além do reconhecimento do meu trabalho enquanto artista popular, o valor da premiação (R$ 5 mil) permitiu que eu comprasse a casa onde vivo até hoje com a minha família - um sonho que nunca seria realizado por uma pessoa que ganhava R$ 150,00 de salário por mês”, lembra. Na 15ª edição da Fenearte, mestre Miro voltaria a ter a uma peça ( Pé de Mamulengo) destacado no Salão. A feitura dos bonecos em madeira, chita, arame, cola, tinta e massa corrida é um processo que já envolve a terceira geração da família de Miro, que nasceu no dia 7 de abril de 1964. São cerca de cem deles produzidos semanalmente, cujos tamanhos podem ir de 40 centímetros a 1,60 de altura.. Os mamulengos sustentados em três cordas são os mais procurados, porém sua produção artesanal é profícua, abrigando bonecos ventríloquos, engenhosas casas de farinha, bandas de pífanos entre outras peças articuladas. Mestre Miro não passa um dia sequer sem criar. “A inspiração vem das pessoas, da minha própria vida e natureza. Meus bonecos levam felicidade por onde passam e fazem parte da minha família. É como se fosse um ciclo: eu dou vida a eles e eles e elas a mim e quando for para o outro mundo, eu quero ir fazendo bonecos”, assegura o mestre que já levou seus bonecos e a rica tradição dos mamulengos pernambucanos para todo o Brasil e para a Europa.

Endereço:

Rua Genésio Trajano da Silva, 32
Cajá, Carpina, Pernambuco,
fone:
ver fone(81) 9 8827.6098

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