PESQUISAR ARTESÃO

Lourenço Mestre


Descrição

Espécie nativa das Américas, presente em quase todo território brasileiro, a cana-brava, de folhas cortantes e cujo caule pode atingir até dez metros de altura, encontrou destinação peculiar em Ponta de Pedras, distrito do município de Goiana, Zona da Mata Norte de Pernambuco. Depois de um longo e difícil processo, que vai da colheita ao beneficiamento, transforma-se em artesanato delicado e de grande procura. Filho de pescador, nascido em Tejucupapo e criado naquela praia do litoral norte, Lourenço Pereira Luna, o mestre Lourenço, é profundo conhecedor do trançado da fibra natural, técnica que domina desde os nove anos de idade, época em que já fazia armadilhas para peixes e lagostas (covos) usadas pelo pai. Mestre Lourenço nasceu no dia 22 de outubro de 1954 em terras do Engenho Massaranduba. Vindo de uma família de cinco irmãos, teve infância difícil na qual a superação das adversidades dependia do quanto o pai, José Pereira Luna, apurava no mar. Com a morte do patriarca, assumiu a responsabilidade de garantir o sustento da família. “A renda era pouca, mal dava para a gente se alimentar e não podíamos continuar daquele jeito. Foi então que coloquei a cabeça para funcionar. Observando a trama de um covo, veio a luz de Deus e imaginei uma cesta. Comecei a fazer por conta própria, sem ninguém me ensinar”, recorda. O artesão tinha 23 anos quando fez a sua primeira peça em fibra, rústica e sem acabamento. Mostrou ao irmão, José Carlos Luna (Zezinho), que aprimorou o trabalho. As primeiras vendas foram asseguradas por veranistas conhecidos, entre eles, Iná Montenegro, assessora de Magdalena Arraes, então presidente da Cruzada de Ação Social, órgão de apoio às ações sociais do Governo do Estado. Através da Cruzada, os irmãos realizam suas primeiras viagens nacionais. O uso da cana-brava na feitura de armadilhas de pesca é uma herança cultural dos índios caetés e tabajaras, primeiros habitantes da região. O pioneiro a utilizar o vegetal na confecção peças utilitárias, em Pontas de Pedras, foi o pescador e artesão Juarez Vieira de Souza, hoje com mais de 90 anos de idade, e que deixou o ofício há mais de 30 anos. Desde os anos de 1990, os irmãos Luna se tornaram os únicos a dominar a técnica, tornando-se referência no trabalho manual. Hoje, graças a iniciativas do Sebrae e do Imaginário, projeto do Departamento de Design da Universidade Federal de Pernambuco, o artesanato em cana-brava é fonte de renda para dezenas de artesãs. O fabrico primoroso que leva a assinatura da família Luna é resultado de esforço e dedicação. A jornadas de trabalho, muitas vezes ultrapassa dez horas por dia. Ela começa ainda de madrugada, por volta das 4h30, percorrendo de canoa o curso do rio por quase uma hora. Em seguida, é necessário caminhar até quatro quilômetros, em área de mangue, para encontrar o plantio. A extração é feita com facão, sem a remoção das raízes, permitindo que a cana volte a crescer. É preciso, então, desbastar o vegetal, separando o miolo da parte a ser aproveitada do caule (paletas ou tiras). Com feixes de até 50 varas (que chegam a pesar 30 quilos) é feito o caminho de volta. Em casa, depois de colocadas de molho e postas para secar, as paletas são trabalhadas com auxílio de facas, cortadas, desfiadas e uniformizadas em tamanhos e espessuras diversos para a confecção e acabamento dos objetos. Toda a família (o irmão, a cunhada, Marleide Ferreira, e os dois sobrinhos) está diretamente envolvida na criação da Cestaria Luna - que hoje conta com mais de cem produtos, entre cestas, luminárias, boleiras, jarros, sousplats e roupeiros. “É um trabalho sacrificado, mas feito com muito carinho e responsabilidade e acho que isso reflete na qualidade do trabalho. Conseguimos vencer muita coisa na vida e hoje não imagino a minha vida sem a cana-brava”, admite Lourenço, que integra a galeria dos mestres-artesãos de Pernambuco desde 2013.

Endereço:
Rua da Campina, 236
Ponta de Pedra, Goiana, Pernambuco,
fone:
ver fone81. 99351.8497/ 98190.4690

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