PESQUISAR ARTESÃO

Ivo Diodato Mestre


Descrição

Ivo Diodato da Silva nasceu no município de Tracunhaém, Zona da Mata Norte pernambucana, no dia 23 de junho de 1964. Começou a trabalhar aos dez anos de idade como ajudante no ateliê do mestre Zezinho. Fez sua primeira peça, (imagem de um cristo) aos 12 anos e, aos 16, já elaborava com desenvoltura esculturas conhecidas como Juca Pitanga, inspiradas no trabalho apresentado pelo personagem da telenovela Coração Alado (Rede Globo, 1980/81). Apesar da intensa produção, Ivo Diodato só definiu seu estilo na cerâmica figurativa em 2009, depois de quase abandonar por definitivo o trabalho com o barro. Segurança patrimonial por profissão, ex-presidente da Associação dos Artesãos de Tracunhaém (Associatra), Ivo Diodato disputou uma vaga para a Câmara de Vereadores de sua cidade há oito anos. Não sendo eleito, resolveu voltar ao trabalho de vigilância, deixando de lado também a produção artesanal. Até o dia em que encontrou a artesã e amiga Leidiane Pedrosa, que vendo seu desânimo sugeriu que buscasse uma linha diferenciada para sua arte. “Foi aí que ela falou sobre Tarsila do Amaral, que eu não conhecia, e sobre o quadro Abaporu. Comecei a pesquisar muito e fiquei impressionado ao ver pela primeira vez aquela figura de pés enormes e cabeça pequena. Compreendi o que Tarsila queria passar como mensagem: em pleno século em que vivemos, o homem continua a comer o próprio homem”, recorda. O mergulho no universo de Tarsila do Amaral, nome referencial da pintura modernista, e na obra Abaporu, símbolo do Movimento Antropofágico, inspiraram Ivo Diodato, que dias depois criaria a primeira escultura (o pescador) já sob a influência do movimento que defendia a total ruptura com a arte tradicional. “Com a peça pronta, partimos para dar um nome a ela. Foi aí que veio a ideia de batizar como João Romão, em homenagem ao personagem do livro O Cortiço, de Aluísio Azevedo”. As peças em barro respeitam a singularidade inspiradora e retratam figuras desproporcionais, com pés enormes e cabeças pequenas. Intencionalmente não têm rostos definidos, permitindo que cada observador tenha uma percepção única. “A arte é indefinida e permite a cada um a liberdade de interação. Minhas esculturas não têm rostos porque a fisionomia é dada por quem as vê”, avalia Ivo Diodato Ainda em 2009, durante a Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), apresentou ao público seu trabalho conseguindo vender todas as peças produzidas em curto espaço de tempo. A boa receptividade foi repetida no ano seguinte quando o artesão produziu 60 esculturas João Romão em várias temáticas. Em 2012, venceu, Ivo Diodato venceu o concurso cultural “Pernambuco, uma paixão pelo futebol”, promovido pelo Sebrae, na categoria escultura. Em 2015, conquistou com a peça “Referência aos Mestres” , uma homenagem a Louro do Pajeú e a Luiz Gonzaga, o Prêmio Aclamação Silvia Coimbra (escolha popular) no Salão de Arte Popular Ana Holanda da Fenearte. Para a confecção de suas esculturas, que chegam a 40 centímetros de altura, Ivo Diodato recorre a facas, garfos, arames e pincel no acabamento. Seus João Romão retratam personagens da cena nordestina (como o caboclo de lança do maracatu, o trio nordestino, famílias de retirantes, pescadores, papangus de Bezerros, entre tantos), da arte sacra (destaque para a Pietá nordestina), entre tantas propostas pautadas pela criatividade. “Sou sempre desafiado a fazer coisas novas. Encontrei a minha linha que dá oportunidades de inovar a cada dia e isso é gratificante. No meu ofício tenho outra grande preocupação, que é a de repassar o que aprendi. Gosto muito de ensinar. O ponto final não pode existir. Temos que usar as reticências e passar o conhecimento adiante”, considera o (também) poeta Ivo Diodato.

Endereço:
Rua Padre João Ribeiro, 21
Centro, Tracunhaém, Pernambuco,
fone:
ver fone(81) 99428.2379 (81). 99428-237

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