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Espíndola Mestre


Descrição

Um acidente sofrido no ano de 1953, quando seguia de caminhão para trabalhar na colheita da cana de açúcar, no estado de Minas Gerais, mudou de forma definitiva a vida do agricultor João Elias Espíndola, nascido no Sítio Candeeiro, município de Poção, no dia 4 de março de 1933. Foi a partir daquele infortúnio de vida que o jovem, debilitado pelas sequelas deixadas, teve que buscar outros caminhos para sobreviver e estes convergiriam para a renda renascença, principal atrativo econômico da cidade, e uma das poucas alternativas para aqueles que não tiravam o sustento do campo. Mestre João Elias aprendeu a bordar com o primo João Batista Filho, alfaiate de profissão, que complementava a renda da família com os bordados. Pediu para aprender o ofício na tentativa de ajudar o pai agricultor, Elias Herculano Dias Spíndola, e a mãe, a dona de casa Ana Vitalina da Conceição, no sustento dos dez irmãos. “Passei praticamente cinco anos deitado numa rede por causa do acidente. Eu me sentia mal em ficar assim, sem ocupação, enquanto meu pai estava no roçado. Com a renda fiz roupa para pai e mãe e pude ajudar comprando o que era preciso para casa ”, recorda. A técnica da trama rendada foi dominada em apenas um mês pelo mestre-artesão e a primeira peça confeccionada, uma gola, chamou a atenção pela simetria, tamanho e perfeição dos pontos. Não só aprendeu rápido como gostava de criar. É de sua autoria, por exemplo, o ponto Lagarta, considerado de difícil execução, e as carreiras elaboradas em ponto pipoca. “Muitos dos pontos aprendi sozinho mesmo e sempre fiz com muito gosto porque a gente tem que caprichar na criação”. Marilene Espíndola da Silva, sobrinha de João Elias, aprendeu a arte da renascença aos dez anos. Ela, assim como a irmã, Adriana, tiveram o tio um professor atento. “A renda feita por ele sempre foi diferenciada e bastante procurada porque tio Elias usava o dobro de linha que usualmente o pessoal aplicava na composição dos pontos, que ficavam assim bem mais fechadinhos, num bordado sem erros”, assegura. Apesar da desenvoltura com as agulhas e linhas, João Elias enfrentou dificuldades ao longo dos 61 anos dedicados à renda renascença, como o preconceito pelo fato de ser homem em uma ocupação essencialmente feminina. “Mas tudo na vida pode ser superado. Vai da vontade e do interesse de cada um em aprender e vencer”, assegura o mestre, que há três anos, por força da catarata que atingiu seus olhos, parou com a produção de blusas, gravatas, molduras, golas, passadeiras de mesa, entre outras peças de grande beleza, altamente valorizadas em feiras e eventos realizados no Brasil e na Europa. Considerado Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2017, pai de três filhos, que não seguiram o seu caminho, João Elias vive atualmente com sobrinha Marilene, no bairro do Prado, em Poção, cidade que ostenta o título de Capital da Renascença.

Endereço:
Rua Manoel Marques de Macedo, 43
Prado, POÇÃO, Pernambuco,
fone:
ver fone87.99817362 / 87.991800646

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