PESQUISAR ARTESÃO


Descrição

É a partir do que a mata do Engenho Novo, em Igarassu, oferece, entre galhos, raízes e troncos caídos, que José Abias da Silva alimenta a sua capacidade criadora, transformando e dando novos significados ao que para muitos seria apenas resíduo. Essa relação sustentável com o ambiente remonta à infância quando aproveitava cocos secos e gravetos para dar forma aos próprios brinquedos. Mestre Abias nasceu no dia 21 de julho de 1967, no distrito de Nova Cruz, em Igarassu. Apesar da habilidade manual revelada precocemente, a sobrevivência o forçou a seguir por outros caminhos na vida. Já foi pedreiro, operário em fábrica de polpas de frutas, vigia e garçom. O encontro com a arte começaria a ser delineado por volta dos 28 anos de idade e de maneira inusitada. Enquanto capinavam um terreno, o colega Juarez o desafiou, em tom de brincadeira, a fazer “arte” com um galho de araçá. Seis dias depois, Abias apresentaria a sua primeira escultura - a figura longilínea de uma passista de frevo fincada em uma base de madeira. No início dos anos 2000, enquanto trabalhava como garçom no Restaurante Porto Vasco (Igarassu), aproveitou o espaço onde o artesão e amigo Roberto Vital expunha suas peças para apresentar alguns trabalhos. Dessa forma vendeu sua primeira escultura (um arranjo feito de galhos) e adquiriu confiança necessária para deixar para trás o emprego e seguir de vez com sua produção artística. Troncos e galhos de sapotizeiros, aroeiras, jaqueiras, biribas, ingazeiras, transmutam-se e ganham significado singular nas mãos de Abias, cujo trabalho autoral despertou a atenção de colecionadores, arquitetos e designers. Recorre a ferramentas simples, como facas e foices, na elaboração de suas esculturas, que tem como identidade o respeito aos movimentos e formas dadas à madeira pela natureza. Um universo povoado por bailarinas, músicos, personagens da cultura pernambucana - como o caboclo de lança-, beija-flores, tatus, iguanas, entre tantos outros animais da fauna brasileira, e registros que marcaram o cotidiano de sua infância e adolescência. Mestre Abias também desenvolve uma linha artesanal utilitária, entre bancos, cadeiras e mesas, de design contemporâneo, já destacado pela Casa Cor Pernambuco (2016). Participou pela primeira vez da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte) em 2004, expondo através do estande da Prefeitura de Igarassu. Em 2007, incentivado por Célia Novaes, então coordenadora do Programa do Artesanato Brasileiro em Pernambuco (PAB/PE), concorreu ao Salão de Arte Popular Ana Holanda, conquistando o primeiro lugar com a peça Lampião e Maria Bonita. Foi destaque também no Salão nas edições de 2008 (A Orquestra), 2009 (Cidade do Interior), 2012 (Feira Livre) e 2015 (Roda Gigante) e há cinco anos integra a Alameda dos Mestres. “Com Célia foi o começo de tudo porque até então não compreendia o valor estético e artístico do meu trabalho. Hoje me sinto realizado e tenho a preocupação em repassar o que aprendi na vida. Ajudar, claro, porque o professor não faz o artesão; ele apenas o auxilia em sua própria descoberta”, ensina o mestre.

Endereço:
Estrada de Nova Cruz, 41
Engenho Novo, Igarassu, Pernambuco,
fone:
ver fone(81) 9.8233-5688

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