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O MCP em Paulo Freire

O MCP em Paulo Freire

A boniteza da invenção do MCP conquistou, inteiramente, Paulo Freire. Repercutiu, fortemente, no seu espírito, no consciente e no inconsciente. Senti isto, com clareza, quando ele lançou "Pedagogia da Esperança", tantos anos depois, no Arraial do Bom Jesus. Vi, nos seus olhos, e ouvi, na sua voz, quando ele disse, na Rua da Hora 100, "bote meu nome nisso", "eu estou nisso".


Sua obra, desde o princípio, antes mesmo de o Movimento de Cultura Popular existir, está intrinsecamente ligada à saga do MCP. Pascal entenderia assim, o aparente mistério: "tu não me buscarias, se já não me tivesses encontrado". O impacto do MCP em Paulo Freire é mais visível ainda, quando se compara "Educação e Atualidade brasileira" (antes do MCP) e "Pedagogia do oprimido" (primeiro livro depois do MCP, da prisão, do exílio).


Mas, Paulo Freire fala pouco do MCP. Por escrúpulo, zelo, delicadeza de espírito. Ele sempre achou, que era uma missão minha. Que eu deveria contar a história do MCP. Ele até quantificava e cobrava sempre: 'Você deve ao Brasil pelo menos 6 livros sobre o MCP". E, disse isto, de novo, em nosso último encontro, na sua casa, dez dias antes de seu encantamento, quando ficamos conversando até de madrugada:Nita, ele, Verônica, Ivan e eu.


Nita - como carinhosamente Paulo Freire chamava a esposa - dá um testemunho precioso sobre como o MCP "cativou" a alma do mestre. Diz ela, em "Paulo Freire, uma bibliografia": "Este primeiro Movimento de Cultura Popular do Brasil marcou profundamente a formação profissional, política e afetiva do educador pernambucano".


Paulo Rosas, em sua Comunicação à 32a Reunião Anual da SBPC, observou: "O MCP pode ser útil ainda hoje pelas pistas deixadas, pelo que fez, pelo que quase fez, por sua incompleta teorização, por sua metodologia que ficou a meio caminho". Talvez esse sentimento de incompletude e de inacabado desapareça, pensando-se que toda a obra pedagógica de Paulo Freire é a pedagogia do oprimido, a pedagogia da esperança, ou seja: a pedagogia do MCP. O MCP não pode ser interpretado hoje, sem Paulo Freire. E simplesmente porque o MCP está em Paulo Freire.

 

O texto completo deste trabalho foi publicado na obra “Paulo Freire – Educação e Transformação Social” organizada por Paulo Rosas. Recife, UFPE, 2002.

http://forumeja.org.br/df/sites/forumeja.org.br.df/files/pfreiregermano.pdf

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